Com aposentadoria equivalente a R$ 5, idosos mendigam nas ruas da Venezuela



Dezenas de idosos, tanto homens quanto mulheres, perambulam pela capital venezuelana vendendo balas, pedindo esmolas ou revirando lixo para conseguir comer. Com a aposentadoria mensal de 7 milhões de bolívares, pouco mais de US$ 1 ou R$ 5, eles representam o retrato mais gritante do empobrecimento da população na Venezuela. A situação da terceira idade no país bolivariano foi retratada em uma pesquisa feita pela ONG Convite.

Em frente a um restaurante em Caracas, uma idosa revira o lixo na esperança de conseguir “colocar algo no estômago”. Sem querer se identificar, ela explica que não consegue comprar sequer uma das refeições vendidas no estabelecimento por US$1,50. “Há meses busco assim algo para comer. Às vezes consigo boa comida. Em outras, ainda que esteja apodrecida, como por não ter outra opção”, contou ela à reportagem da RFI Brasil.



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Até mesmo nas imediações da Assembleia Nacional, agora de maioria chavista, um considerável número de pessoas acima dos 60 anos tenta “rebuscarse”, palavra usada na Venezuela como sinônimo de “dar um jeitinho”. Os idosos vendem de balas a artigos usados, muitos deles conseguidos no lixo. Outros, sentados, pedem esmolas explicando que têm fome.

No metrô da capital venezuelana, pessoas de idade também circulam pelos vagões pedindo ajuda ou vendendo mercadorias baratas. É o caso de Manolo. Aos 75 anos, magro e com as roupas remendadas, ele vende balas “porque nós, velhos, já não podemos trabalhar em empresas. Temos que sustentar a família. Eu sei soldar, fazer mecânica, mas…”, conta ele insinuando que o peso da idade o distancia de melhores oportunidades.

Cada drops de caramelo vendido por Manolo custa 100 mil bolívares, valor inferior a uma passagem de ônibus, cujo preço varia entre 500 mil e 1 milhão de bolívares. O que consegue com a venda dos doces vai “para a comida”, explica. O idoso afirma sustentar 13 pessoas. A esposa, “doente de uma perna”, não consegue trabalhar.

A pesquisa divulgada pela ONG Convite destaca que 28% dos idosos entrevistados ainda trabalham. Um dado alarmante é que 80% dos entrevistados recebem entre US$ 1 e US$ 10 por mês, enquanto 40% informou ganhar entre US$ 1 e US$ 5 mensais. Um significativo número de entrevistados trabalha informalmente.

De acordo com o Observatório Venezuelano de Segurança Alimentar e Nutricional (OVSAN), mais de 50% dos moradores de Caracas apresentam “alto nível de angústia” por falta de alimentos em suas casas. Não há índices sobre o interior do país, onde a situação é ainda pior que na capital venezuelana.

Morador de uma região popular de Caracas, Manolo lembra que “antes havia estabilidade, havia tudo. Hoje em dia, não. É preciso ter três trabalhos. Faço soldas, vendo balas e recebo a aposentadoria, que não dá para comprar uma ‘harina pan’”, conta se referindo à farinha de milho usada no preparo da arepa, o tradicional pãozinho dos venezuelanos.

O alto preço dos alimentos levou 38% dos idosos entrevistados a reduzir a variedade de alimentos na maioria das refeições. Já 42% reduziram algumas vezes a quantidade servida de comida.


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